pé de pitanga carregado de esperança,
sem photoshop, nem corantes artificiais, sem truques,
só mais um milagre, em um abençoado dia do planeta terra.

 

— Dr. Marcelo, eu li na revista Colors, especial Amazônia, que a floresta amazônica consome todo o oxigênio que produz e que o GreenPeace classificou a floresta não como o pulmão do mundo, mas como o ar condicionado do mundo, o que em tempos de aquecimento global é um acessório importante, mas desqualificou-a como um pulmão....

– "A relação das florestas com mudanças climáticas é bastante complexa. Por um lado a floresta amazônica tem um papel importantíssimo no clima regional (chuvas na região sudeste por exemplo). Por outro lado ela pode ser também uma espécie de bomba relógio do carbono. Explico: com as mudanças climáticas podem ocorrer alterações na temperatura e no regime de chuvas da floresta e com isto ocorrer o processo de savanização da floresta, ou seja, a floresta perderia seus estoques de carbono para a atmosfera.
Conclusão: de nada adianta conservar a florestas se as emissões de gases de efeito estufa de combustíveis fósseis continuarem ..."

mas Doutor, ... é possível viver com emissões zero de Carbono?

 

O Doutor Marcelo não estudou medicina.
Ele é Doutor sim, mas em Economia Aplicada, com a tese "AQUECIMENTO GLOBAL E O MERCADO DE CARBONO: UMA APLICAÇÃO DO MODELO CERTO", além de muitas qualificações que você poderá verificar no final deste texto.

Ao longo deste ensaio, o Marcelo nos deixa alguns links (todas as palavras sublinhadas) pistas importantes para aprofundarmos este diálogo. Confira:




Efeito estufa, Convenção do Clima, Protocolo de Quioto, Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), Mercado de Carbono e "Carbon Neutral". Cada vez mais estes temas aparecem nos meios de comunicação e nos eventos sobre meio ambiente e responsabilidade social empresarial. Esta exposição se justifica, ou se trata de mais um "modismo ambiental" e no futuro próximo estaremos discutindo outro "importante" problema ambiental?



o Dr. Marcelo Theoto Rocha responde:


As evidências científicas mais recentes mostram claramente que as mudanças climáticas globais estão de fato ocorrendo e que a interferência humana no clima já está sendo e será cada vez mais prejudicial.
Estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera num nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema climática é o objetivo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima

A grande maioria dos países concorda com este objetivo, visto que 189 países ratificaram a Convenção, incluíndo os Estados Unidos.

Reconhecer o problema portanto, não é mais um desafio a ser superado.
O desafio está em estabelecer qual a concentração de GEE Gases de Efeito Estufa que deverá existir na atmosfera e como dividir o ônus para o cumprimento do objetivo da Convenção.

Um passo inicial importante foi dado com o Protocolo de Quioto , um protocolo dentro da Convenção do Clima, que estabelece metas de redução das emissões de GEE para os países industrializados e desenvolvidos (ANEXO I). O primeiro período de compromisso do Protocolo estabelece que as metas iniciais deverão ser alcançadas entre 2008 e 2012. Para permitir a redução dos custos associados ao cumprimento das metas, o Protocolo estabeleceu também mecanismos de mercado, sendo um deles o MDL Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.

As metas do primeiro período de compromisso de Protocolo de Quioto
não serão suficientes para atingir o objetivo último da Convenção,
sendo necessárias portanto, metas maiores de redução.

Já está em andamento o processo de negociação destas novas metas. Nesta discussão é sempre importante recordar o princípio da responsabilidade comum porém diferenciada, estabelecido na Convenção do Clima. A idéia é simples: os países em desenvolvimento não podem ter o mesmo ônus dos países já desenvolvidos: Não se pode pedir para quem chegou somente para o cafezinho que pague o mesmo valor da conta de quem fez a refeição completa.

 

 
"A realidade é que os países ricos do hemisfério norte é que são os grandes devedores do planeta.

Primeiro, por terem, durante séculos, destruído, ocupado e se apropriado de grande parte dos recursos e riquezas naturais disponíveis.

Segundo, por utilizarem o meio ambiente como depósito de resíduos nucleares, químicos, hospitalares, informáticos.

E por último, por terem imposto o mesmo devastador modelo econômico a todos os países colonizados por eles, seja geográfica, política, cultural ou economicamente”.

Prova disso é o gás carbônico emitido todos os dias em quantidade infinitamente superior pelos países ricos e industrializados, mas com efeitos muito mais drásticos nos países tropicais.

A biopirataria é um outro exemplo de como a riqueza da biodiversidade tropical é explorada atualmente pelas multinacionais, que se apropriam de seus recursos genéticos e conhecimentos tradicionais e depois a vendem.

Desse modo, os países do chamado terceiro mundo não conseguem quebrar o ciclo em que estão inseridos há séculos.

Já os países ricos têm a garantia do abastecimento de recursos vindos do sul, como minerais, gás, biomassa, petróleo, grãos, alimentos, etc, tudo importado a baixíssimo custo".

Daniela Russi
Observatório da Dívida na Globalização
I Fórum Social Mediterrâneo

A dívida ecológica é infinitamente maior que a
dívida externa e precisa ser, urgentemente, reparada”


Inaki Barcena,
integrante do movimento espanhol
"Ekologistak Martxan", de Bilbao.

 



O futuro do Inácio,
está nas mãos da informação,
e não mais da experiência.
Já pensou nisto?


Então... senta que lá vem ela: a informação

 


Os projetos de MDL
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo não deverão também ser utilizados única e exclusivamente para o cumprimento das metas. Os países do ANEXO I devem utilizar (e estão utilizando) os projetos de MDL de forma complementar às ações domésticas de redução. A idéia é dar flexibilidade às empresas e governos. Como em qualquer questão ambiental o mercado pode ajudar, mas não deve ser utilizado exclusivamente como ferramenta de solução do problema. Instrumentos de comando e controle também são necessários, assim como educação ambiental e outras abordagens.

 

 



Inácio:
- Está vendo todas estas terras? Até aonde a sua vista alcança?
Desaparecerá. Deixaremos para você o Mercado de Carbono.

 


No caso do MDL cria-se o "mercado de carbono", aonde empresas de países do ANEXO I investem em projetos de redução de emissões de GEE e/ou projetos de reflorestamento em países que não possuem metas de redução dentro do Protocolo de Quioto, como por exemplo o Brasil, a China e Índia. Estes três países são os grandes "players" do mercado de carbono.

 

Os projetos investidos se compromete a entregar "créditos de carbono", ou seja, reduções certificadas de emissões. Os "créditos de carbono" não se devem ser vistos simplesmente como uma permissão para que os países desenvolvidos continuem a emitir, mas sim como um serviço ambiental que está sendo prestado para permitir que as empresas tenham um custo menor no cumprimento das metas.


Independente das metas obrigatórias para os países industrializados e das oportunidade decorrentes do mercado de carbono, muitas empresas e governos locais, vejam o caso da Califórnia: entendem que o efeito estufa é um problema real e que todos devem contribuir para a sua solução.


No caso das empresas, surge portanto o conceito de "governança climática", aonde no estabelecimento das estratégias de governança corporativa e responsabilidade social, busca-se também incluir ações relativas à mitigação do efeito estufa por elas causado (direta ou indiretamente). Uma boa política corporativa de mudanças climáticas não deve focar apenas em uma única ação de mitigação. É desejável diversificar as ações, procurando atuar em áreas do "core business" da empresa e em especial ao longo da cadeia de fornecedores e parceiros. O ideal é começar pelas reduções internas e "neutralizar" apenas as emissões que não pode ser eliminadas no curto e médio prazo. Assim como não se deve cumprir as metas de redução do Protocolo de Quioto apenas com projetos de MDL, não se deve neutralizar todas as emissões de uma empresa utilizando uma única ação, como por exemplo, plantando árvores.


Reduzir as emissões e diversificar a mitigação é a chave para uma boa estratégia de governança climática. Ações mais contundente devem incluir até mesmo o questionamento do modelo de negócio da empresa e o perfil de consumo dos seus clientes. O próprio consumidor, ou seja, nós mesmos devemos também participar da solução do problema, reavaliando nossas opções e escolhendo produtos e serviços que sejam menos intensivos na emissõe de GEE.

Nenhum país, empresa ou indivíduo pode pleitear manter um padrão insustentável de produção e/ou consumo, com a justificativa de que está mitigando suas emissões apenas com uma única ação. As ações devem ser maiores, mais diversificadas e permitir transformações profundas e duradouras.

 

" Eu sei pouco, mas desconfio de muitas coisas..." Guimarães Rosa

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nota da redação:
o Inácio, o garotinho-modelo desta matéria, já está iniciado em educação ambiental.
"He will learn much more than I'll ever know and I think to myself:
What a wonderful world" Louis Armstrong
" Ele aprenderá muito mais do que eu jamais saberei, e eu penso comigo mesmo: Que mundo maravilhoso: Louis Armstrong

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MARCELO THEOTO ROCHA
agrônomo, pesquisador, doutor.

Sócio Fundador da Fábrica Éthica Brasil Consultoria em Sustentabilidade

Pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada CEPEA , da Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP);

Pesquisador Associado da organização não governamental IPÊ Instituto de Pesquisas Ecológicas

Mestre em Economia Aplicada, com a dissertação: UTILIZAÇÃO DE LODO DE ESGOTO NA AGRICULTURA: UM ESTUDO DE CASO PARA AS BACIAS HIDROGRÁFICAS DOS RIOS PIRACICABA, CAPIVARI E JUNDIAÍ

Doutor em Economia Aplicada, com a tese "AQUECIMENTO GLOBAL E O MERCADO DE CARBONO: UMA APLICAÇÃO DO MODELO CERTO

Membro do Comitê de Experts da DNV (Comitê de Certificação).

Revisor dos Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Tem atuado como consultor junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia; Ministério do Meio Ambiente; Programa Nacional de Florestas; Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA); IBAMA; Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO); Food and Agriculture Organization (FAO); The Nature Conservancy (TNC); Instituto Bio-Atlântica; Ecoinvest; Pricewaterhouse Coppers; Bureau Veritas; BM&F; entre outras.

Membro da equipe de negociadores da Delegação do Governo Brasileiro nas últimas conferências da Convenção do Clima e do Protocolo de Quioto.

Possui várias publicações científicas sobre economia ambiental, mercado de carbono e negócios sustentáveis.

 

dê uma olhada nas fotos, depois telefone para
(11) 3641-9136 em São Paulo e descubra onde comprar sua edição. Imperdível.

REVISTA COLORS
Especial Brasil
Amazônia



Quer imagem mais interior do Brasil, do que esta senhora com seu vestidinho e chinelos, debaixo de uma árvore "posando para um retrato"?

Nunca viu? Acho que que você não conhece os brasileiros, muito menos os da Amazônia, e olha que são 17 milhões, que a revista Colors apresenta ao mundo em mais de 113 páginas.

COLORS é um projeto do FABRICA SpA© United Colors of Benetton. A edição que chegou à redação é bilingue: inglês/português.

Tem retrato do Sebastião, do Leônidas, do Armindo, da Lili . Tem fotos inacreditáveis, uma seção de serviços de lá e para lá surpreendentes e uma carta assinada por Gil, nosso Ministro.

Uma linda edição para guardar.

Então faça assim:

Entre no site em inglês: WWW.COLORSMAGAZINE.COM





FOMOS ATRÁS DE MAIS AJUDA, E O ENGENHEIRO MACIEL,
COLABOROU COM ESTE TEXTO.
O ASSUNTO É COMPLICADO DEMAIS E IMPORTANTE DEMAIS.

Não desanime, investigue. Queremos dividir nossas pesquisas, e trazer para você nossas angústias.
Um grande momento nosso e do planeta.
O que faremos a partir daqui, interessa a mim e a você.


Como você pode colaborar?
Leve esta questão com você e quando finalmente você estiver vivendo dentro da resposta, conte para nós. Queremos aprender com você.

 

.... por enquanto, ame as perguntas:

 
FRANCISCO MACIEL
Engenheiro, Mestre.

Diretor Geral da The Green Initiative

Diretor Sócio da MDL do Brasil Ltda

Vice-Chairperson da Câmara Francesa de Comércio

Doutorando em MDL pela POLI-USP

Mestre em Energia pela USP

Engenheiro Eletricista da POLI

Trabalha desde 1992 em projetos de sustentabilidade e mudanças climáticas.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Mecanismos para o Desenvolvimento Limpo
Francisco Maciel
Diretor do The Green Initiative

O texto na íntegra, voce downloada aqui.

Foi produzido em PDF um formato de arquivo que somente é lido se você tiver, o software: Acrobat Reader, da Adobe. Se você não tiver, clique aqui e instale no seu computador. é gratuito.

O texto do Engenheiro está dividido assim:

Introdução
A Convenção sobre a Mudança do Clima
Protocolo de Quioto
Opções para Limitar e Diminuir as Emissões dos Gases de Efeito Estufa
Os Custos e Benefícios das Ações Mitigadoras
As Formas de Mitigação de Emissões
Teoria e Política do MDL
Teoria do MDL
Políticas do MDL
O MDL no Contexto Brasileiro do Século 21
Novas Tecnologias de Produção de Energia
Tecnologias Avançadas de Energia Fóssil
Células de Combustível
Tecnologias Avançadas de Energia Nuclear

 

Alguns trechos dos seus ensinamentos:

 

Praticamente toda a atividade humana gera um impacto ambiental.


As mudanças climáticas têm moldado o destino da humanidade desde então, fazendo com que o homem se adapte, através de migrações ou de buscas criativas pela sobrevivência, tornando-se mais capaz de viver neste planeta. Atualmente, a humanidade, ou melhor a atividade antropogênica causadora do desenvolvimento socioeconômico, vem mudando o clima de forma cada vez mais alarmante. Os resultados não são totalmente previsíveis, mas as bases cientificas são coerentes, e, na entrada do terceiro milênio, as leituras físicas dos fenômenos naturais vinculados ao efeito estufa, por exemplo, mostram-se verdadeiras, pelo que as mudanças climáticas deste século certamente, e de forma iminente, influenciarão também os rumos da humanidade.


Atualmente a mudança mais sensível, que praticamente atinge todo o globo terrestre, é a alteração das condições atmosféricas. Se no passado houve um asteróide gigante que fez os dinossauros experimentarem uma grande névoa de poeira, hoje nós experimentamos algumas mudanças que acabam sendo graves, embora sejam tão sutis. Por meio de suas atividades modernas, o Homem modificou, e continua modificando, a composição de gases da atmosfera, estimulando a liberação de gases como o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxidos de nitrogênio (NOx) para a atmosfera, gases estes que contribuem para o efeito estufa. Cabe destacar que o vapor de água também contribui de forma significativa para o efeito estufa, mas este não é diretamente influenciado pelas atividades humanas. Em condições de equilíbrio, estes gases representam menos de um décimo de por cento do volume total da atmosfera, que consiste basicamente de 21% de oxigênio e 78% de nitrogênio. Porém, mesmo em quantidades ínfimas, estes gases atuam como um cobertor natural para o planeta, tal que sem ele a temperatura na superfície da Terra seria cerca de 30
oC inferior ao que é atualmente.


O efeito estufa pode ser explicado como o fenômeno causado pela alteração da concentração de alguns gases presentes na atmosfera que faz com que a quantidade de energia solar absorvida pela Terra não seja radiada à mesma taxa para o espaço, provocando um aumento de temperatura para restabelecer o equilíbrio do balanço energético.
Se nada for feito para reduzir a taxa de emissão dos gases estufa, é possível que o atual nível destes gases esteja triplicado por volta do ano 2100. Como resultado provável deste fenômeno haverá um aquecimento global de 1 a 3,5oC nos próximos 100 anos. É difícil prever como a vida na Terra será afetada, pela complexidade dos eventos envolvidos no estabelecimento das condições climáticas. A temperatura é apenas uma das variáveis do clima, e pode desencadear a mudança de inúmeras outras. Efeitos incertos apenas levam a
outros efeitos incertos. Por exemplo, os padrões de vento e chuvas que têm ocorrido durante séculos, ou milhares de anos, e dos quais milhões de pessoas dependem, poderiam mudar.

O nível dos oceanos poderia subir, encobrindo pequenas ilhas ou grandes áreas costeiras. E em um mundo cada vez mais populoso e conturbado, onde muitos problemas já são de difícil solução, estes desequilíbrios poderiam agravar problemas de fome ou gerar mais catástrofes.


O passo mais importante é que a sua existência seja reconhecida.


Não é fácil para as nações entrarem em acordo a respeito de ações conjuntas, onde nem se sabe ao certo como lidar com as causas nem quais seriam as conseqüências.
Embora seja ainda difícil predizer como os atuais padrões de consumo de energia devem afetar as próximas gerações por meio das emissões de gases, alguns fenômenos podem ser indicados como prováveis:

· Modificação nos padrões regionais de chuva

Em nível global, o ciclo de evaporação e transpiração poderá ser acelerado. Isto significa que a quantidade de chuva aumentaria, mas as águas das chuvas também evaporariam mais rapidamente, deixando o solo seco durante períodos críticos de plantio, em áreas cuja localização não pode ser prevista. O agravamento ou surgimento
de secas poderia afetar o suprimento de água potável, especialmente nos países mais pobres, onde os problemas de saneamento básico são mais graves. Devido às incertezas do clima e à multiplicidadade de cenários possíveis, é difícil predizer quais áreas se tornariam mais úmidas ou mais secas. O fato seguro é que hoje já existe uma
preocupação global a respeito da escassez de água. Além disso, a população continua a crescer a altas taxas e a expansão econômica pode ser um agravante da situação.

· Deslocamento de zonas férteis para a agricultura para as regiões polares. Nas regiões de latitude média, a temperatura poderá sofrer um acréscimo de 1 a 3,5 oC, estendendo-se para os pólos em uma faixa de 150 a 550 Km.

O aumento de verões secos poderá reduzir as colheitas nestas áreas, e possivelmente as áreas hoje mais produtivas da Terra sofrerão com secas freqüentes e ondas de calor. Áreas mais próximas aos pólos como o norte do Canadá, Escandinávia, Rússia e Japão, no hemisfério norte, ou o sul do Chile e da Argentina no hemisfério sul, serão beneficiados com a elevação da temperatura. No entanto, algumas destas regiões,
devido à qualidade do seu solo, não teriam capacidade produtiva suficiente para compensar a queda de produtividade das áreas hoje mais produtivas.


Há uma questão fundamental sobre a mudança climática, decorrente da relação entre países ricos e pobres:

os países com alto padrão de vida são os mais responsáveis pelo aumento do efeito estufa.A elevação de temperatura poderia causar o degelo das áreas glaciais, engolindo
pequenas ilhas e cobrindo áreas costeiras. Estima-se que desde o início do século XX o nível dos oceanos tenha subido de 10 a 15 cm. Com o aquecimento global, calcula-se que este nível
subirá mais de 15 a 95 cm até o ano 2100. As áreas mais vulneráveis serão as regiões costeiras densamente povoadas de alguns dos países mais pobres do mundo. Bangladesh, cuja costa já sofre inundações, seria uma vítima com prováveis devastações.


Estes cenários são seguramente alarmantes, mas ao mesmo tempo suficientemente incertos para fazer com que os governantes de paises pouco afetados tomem decisões específicas a respeito.

Algumas nações enfrentam problemas como fome, carência de recursos para educação e saúde, déficit habitacional, dívidas externas e, portanto, são justificavelmente tentados a não tomar atitudes que só produziriam efeitos se tomadas em conjunto com todas as outras nações do mundo, especialmente as mais ricas.A redução das emissões de gases de efeito estufa será feita através de diversos dispositivos, entre os quais se destacam:
· Reforma dos setores de energia e de transportes;

· Promoção e incentivo do uso de fontes renováveis de energia;

· Eliminação dos mecanismos financeiros e de mercado contrários ao Protocolo;

· Limitação das emissões de metano no gerenciamento dos resíduos e dos sistemas energéticos;

· Proteção das florestas e outros sumidouros de carbono. Restou a incerteza quanto à quantificação dos sumidouros de carbono nas florestas. Teoricamente, é desejável outorgar créditos pelo acréscimo do carbono acumulado (seqüestrado) nas florestas, e incluir as emissões de dióxido de carbono produzidas pelo desmatamento no inventário das emissões. O artigo 3 do Protocolo permite aos países realizarem ajustes no seu inventário de gases de efeito estufa, considerando mudanças no uso da terra e atividade florestais que tenham acontecido a partir de 1990. Alguns cientistas opinam que não existe suficiente conhecimento do processo de remoção do carbono da atmosfera pelas florestas, e sobre os métodos de realização do inventário de florestas.

Apesar de os países participantes terem concordado quanto à necessidade de redução das emissões dos gases de efeito estufa, as negociações em Quioto foram muito difíceis. O cientista brasileiro Jose Goldemberg, que participou da conferência, considera como causas das dificuldades as seguintes proposições:

· Consideráveis interesses econômicos envolvidos, sobretudo dos produtores de carvão mineral e de petróleo, dentro e fora dos Estados Unidos;

· A posição da União Européia, que pode reduzir mais facilmente suas emissões do que o Japão e os Estados Unidos;

· A posição do governo americano, que parece disposto a tomar medidas para evitar o efeito estufa, mas é fortemente pressionado pelo Senado, que pretende que os países em desenvolvimento sejam submetidos às mesmas solicitações que os Estados Unidos;

· A posição do Grupo dos 7 e da China, que desejam estabelecer limites para os países ricos, ficando desta forma isentos de qualquer restrição que possa impedir o seu crescimento econômico.


O Brasil propôs em Quioto a criação de um Fundo de Desenvolvimento Limpo, a fim de que os países desenvolvidos contribuam para a redução das emissões dos gases de efeito estufa nos países em desenvolvimento.Não existe uma única projeção futura para a redução das emissões. Cada região terá que escolher o seu próprio caminho.

Muitos dos modelos estudados, indicam que será possível atingir níveis estáveis de emissões dos gases de efeito estufa em 100 anos ou mais, mas isso implicaria mudanças socioeconômicas e institucionais. Para atingir esses objetivos, os cenários mostram que uma grande diminuição de emissões com relação aos níveis de 1990 terá que ser feita nos próximos anos.

Melhorias tecnológicas e a disseminação dessas tecnologias têm um papel importante nesse contexto. Para o setor energético, quase toda a diminuição e estabilização estão ligadas à implantação de novas formas mais eficientes de uso e suprimento de energia.

Portanto, nenhuma tecnologia irá prover, isoladamente, toda a redução necessária.

 

 

 

© Cosmonauta.com.br
txt Rossane Costa
art img Rodolfo Tucci

foto da floresta: Francisco Maciel


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